Desigualdade,
pobreza e condições de saúde e nutrição na infância no Nordeste Brasileiro
Nas últimas décadas o
Brasil experienciou substancial melhora dos indicadores de saúde e nutrição, em
especial na infância. No entanto, a melhora dos indicadores não se faz sentir
deforma homogênea intra e entre as grandes regiões geográficas do país. A taxa
da mortalidade infantil foi estimada em 34 mortes por mil nascidos vivos no ano
2000 para todo o país, mas distribuiu-se de forma heterogênea, com seus extremos
nas regiões Nordeste (50,1 por mil nascidos vivos) e Sul (24,1 por mil nascidos
vivos) Essas diferenças entre as taxas de mortalidade são ainda mais
expressivas quando é considerado o nível de escolaridade materna, de tal forma que
aumenta para o Brasil como um todo nos estratos de menor escolaridade e diminui
naqueles de maior escolaridade materna; com diferencial mais robusto para a Região
Nordeste.
Informações
disponíveis indicam também que a ocorrência da desnutrição em menores de cinco
anos declinou em todo o país no período de 1986 a 1996, registrando-se redução
de aproximadamente 51,7% para os déficits lineares graves e moderados avaliados
pelo indicador antropométrico altura/idade, e de 12% para o déficit ponderal
medido pelo indicador peso/idade. Em que pese esse declínio, nota-se que as
crianças do Nordeste brasileiro detêm os mais elevados déficits do indicador
altura/idade (17,9%) e peso/ idade (8,3%) quando comparadas com aqueles calculados
para as crianças da Região Sul, respectivamente de 5,1% e 2%, uma das regiões mais
ricas do país. Tendência de distribuição diferenciada segundo as áreas
geográficas do país é também registrada por pesquisa recente do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), que identificou maior percentual
de déficit de peso/idade para as crianças da área rural do Nordeste brasileiro
(8,7%) quando comparadas com a prevalência deste déficit entre as crianças do
Sul total (5,2%) e do Sul rural (5,6%).
Infelizmente nessas
estimativas não estão disponíveis o déficit linear.
Estudo transversal,
envolvendo 2001 crianças das áreas rural e urbana de dez municípios da Bahia,
Brasil.
Avalia-se a relação entre os
gradientes da desigualdade e os fatores do ambiente familiar, de saúde e
nutrição, utilizando-se a regressão logística multinominal multivariada.
As crianças do tercil
intermediário das condições de vida e aquelas do tercil mais pobre têm chances significantes
e crescentes de viverem na área rural, em domicílio chefiado pela mulher, ter o
pai desempregado, mãe com baixa escolaridade, de dormir com mais de uma pessoa
na mesma cama, déficit linear grave e consumir retinol abaixo da mediana. A
existência de mais de uma criança no domicílio, ser portadora de déficit
ponderal e ter o consumo de lipídio abaixo da mediana foram eventos também
significantes para as crianças mais pobres. A anemia foi identificada entre as
crianças do tercil intermediário. A desigualdade expõe as crianças a chances
crescentes de inadequado estado de saúde e nutrição. Políticas de saúde podem implementar
medidas emergenciais no sentido de minimizar os males
impostos pela desigualdade à saúde e nutrição na infância.
Referencias
Assis, Ana Marlúcia O et al. Desigualdade,
pobreza e condições de saúde e nutrição na infância no Nordeste Brasileiro. Disponível em: www.scielosp.org/pdf/csp/v23n10/09.pdf.
Acesso em: 27 de maio de 2014.
Brasília: Ministério da Saúde, 2005. (Série C. Projetos, Programas e
Relatórios).
Departamento de Atenção Básica, Secretaria de Atenção
à Saúde, Ministério da Saúde. Avaliação do Programa Bolsa-Alimentação: primeira
fase. (Série C. Projetos,
Programas e
Relatórios).
Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística. Indicadores sociais.
Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/ estatistica/populacao/condicaodevida/
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Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística. Pesquisa de
orçamentos familiares – 2002-2003 (POF): estado antropométrico infantil. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/
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Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil/ Demographic and
Health Survey. Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde 1996. 2. ed. Rio de Janeiro:
Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil/ Demographic and Health Survey;
1999.


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