terça-feira, 27 de maio de 2014



Desigualdade, pobreza e condições de saúde e nutrição na infância no Nordeste Brasileiro


Nas últimas décadas o Brasil experienciou substancial melhora dos indicadores de saúde e nutrição, em especial na infância. No entanto, a melhora dos indicadores não se faz sentir deforma homogênea intra e entre as grandes regiões geográficas do país. A taxa da mortalidade infantil foi estimada em 34 mortes por mil nascidos vivos no ano 2000 para todo o país, mas distribuiu-se de forma heterogênea, com seus extremos nas regiões Nordeste (50,1 por mil nascidos vivos) e Sul (24,1 por mil nascidos vivos) Essas diferenças entre as taxas de mortalidade são ainda mais expressivas quando é considerado o nível de escolaridade materna, de tal forma que aumenta para o Brasil como um todo nos estratos de menor escolaridade e diminui naqueles de maior escolaridade materna; com diferencial mais robusto para a Região Nordeste.

Informações disponíveis indicam também que a ocorrência da desnutrição em menores de cinco anos declinou em todo o país no período de 1986 a 1996, registrando-se redução de aproximadamente 51,7% para os déficits lineares graves e moderados avaliados pelo indicador antropométrico altura/idade, e de 12% para o déficit ponderal medido pelo indicador peso/idade. Em que pese esse declínio, nota-se que as crianças do Nordeste brasileiro detêm os mais elevados déficits do indicador altura/idade (17,9%) e peso/ idade (8,3%) quando comparadas com aqueles calculados para as crianças da Região Sul, respectivamente de 5,1% e 2%, uma das regiões mais ricas do país. Tendência de distribuição diferenciada segundo as áreas geográficas do país é também registrada por pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), que identificou maior percentual de déficit de peso/idade para as crianças da área rural do Nordeste brasileiro (8,7%) quando comparadas com a prevalência deste déficit entre as crianças do Sul total (5,2%) e do Sul rural (5,6%).

Infelizmente nessas estimativas não estão disponíveis o déficit linear.

Estudo transversal, envolvendo 2001 crianças das áreas rural e urbana de dez municípios da Bahia, Brasil.

Avalia-se a relação entre os gradientes da desigualdade e os fatores do ambiente familiar, de saúde e nutrição, utilizando-se a regressão logística multinominal multivariada.
As crianças do tercil intermediário das condições de vida e aquelas do tercil mais pobre têm chances significantes e crescentes de viverem na área rural, em domicílio chefiado pela mulher, ter o pai desempregado, mãe com baixa escolaridade, de dormir com mais de uma pessoa na mesma cama, déficit linear grave e consumir retinol abaixo da mediana. A existência de mais de uma criança no domicílio, ser portadora de déficit ponderal e ter o consumo de lipídio abaixo da mediana foram eventos também significantes para as crianças mais pobres. A anemia foi identificada entre as crianças do tercil intermediário. A desigualdade expõe as crianças a chances crescentes de inadequado estado de saúde e nutrição. Políticas de saúde podem implementar  medidas  emergenciais no sentido de minimizar os males impostos pela desigualdade à saúde e nutrição na infância.


Referencias



Assis, Ana Marlúcia O et al. Desigualdade, pobreza e condições de saúde e nutrição na infância no Nordeste Brasileiro. Disponível em: www.scielosp.org/pdf/csp/v23n10/09.pdf. Acesso em: 27 de maio de 2014.


Brasília: Ministério da Saúde, 2005. (Série C. Projetos, Programas e Relatórios).

Departamento de Atenção Básica, Secretaria de Atenção à Saúde, Ministério da Saúde. Avaliação do Programa Bolsa-Alimentação: primeira fase. (Série C. Projetos,
Programas e Relatórios).


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Indicadores sociais. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/ estatistica/populacao/condicaodevida/ indicadoresminimos/sinteseindicsociais2004/ indic_sociais. Acesso em: 27 de maio de 2014.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares – 2002-2003 (POF): estado antropométrico infantil. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/ pof/2003medidas/default.shtm. Acesso em: 27 de maio de 2014.

Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil/ Demographic and Health Survey. Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde 1996. 2. ed. Rio de Janeiro: Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil/ Demographic and Health Survey; 1999.

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